O torneio que deu a Agnieszka Ninja Radwanska o 5º lugar do ranking resumido.
o 5º Premier da WTA de 2012 começou com suas duas primeiras cabeças de chave desistindo antes de suas estréias no torneio. Kvitova (2) desistiu por uma virose e Azarenka (1) pela contusão no tornozelo esquerdo que sofreu na semana anterior, em Doha.
A partir daí a competição seguiu relativamente tranquila para as seeds restantes. Quase estranho de se ver num torneio WTA. As decepções de início ficaram por conta de Bartoli (6) – aparentemente com algum tipo de contusão na coxa, embora não tenha pedido atendimento médico durante a partida -, que caiu na primeira rodada para Peng, e Schiavone (7) que também caiu na estréia, para Ivanovic. Aliás, Bartoli x Peng foi o jogo mais interessante da semana pra mim. Nunca havia visto as duas melhores rankiadas double-handers da tour jogarem uma contra a outra, e o jogo não decepcionou minhas expectativas. Foram vários rallies interessantes, agressividade para todo lado, e um padrão interessante: Bartoli ganhou os 3 primeiros games de ambos os sets, mas depois perdeu os 6 subsequentes em ambos também. Uma pena a fadiga de Bartolina, não fosse isso esse jogo poderia ter sido melhor ainda.

A lucky loser Casey Dellacqua pegou Julia Goerges na segunda rodada depois de herdar o bye de Azarenka mas não aproveitou a oportunidade, levando um bagel e 62. Georges, por sua vez, vinha de um jogo que deveria ter perdido, com Kuznetsova. Não preciso nem dizer o que aconteceu, mas direi mesmo assim pra quem não está familiarizado com o conceito de russice: Sveta tinha total controle do jogo, mas lembrou que é russa e deixou a adversária ganhar. A história da vida dela em todos os jogos que perde atualmente. Ainda nessa chave, Hantuchova teve que suar pra ganhar de Hercog em três sets, antes de eliminar Peng em dois. Nas quartas, Dani ganhou o primeio set contra Goerges, mas depois russou (apessar de não ser russa) e perdeu os dois seguintes pois não conseguiu retormar a confiança que tinha no 1º set nem tirar a que deixou Goerges adquirir no 2º.
Goerges esperava por Wozniacki (3) na semifinal. A dinamarquesa teve um torneio tranquilo até então, com vitórias sobre Halep e Ivanovic. Nesta semi, o jogo foi num padrão similar ao de Karolina com Ivanovic: sua adversária disparando forehands potentes constantemente em sua direção, o mesmo plano de movimentar a adversária o máximo possível e a tentativa de fugir do seu forehand e do da adversária. A diferença é que Caro nunca conseguiu parar Julia totalmente. Ela a quebrou quando a outra sacava para o primeiro set, mas perdeu o tiebreak do mesmo por 7-3. No segundo, a mesma história, quebras dos dois lados até que Julia se estabiliza, Caro não faz nada e lá se vai o set, e a partida. Foi a 3ª vitória consecutiva da alemã sobre Wozniacki. Um sinal vermelho para o “Woz camp”, pois com Caro defendendo o título em Indian Wells e Radwanska e Stosur jogando bem, é quase certo de que ela cairá ainda mais no ranking.
Do outro lado da chave, Jankovic (8) estava nas semis depois de derrotar a 5ª melhor rankiada e campeã do US Open Samantha Stosur (4) em sets diretos. Não posso falar nada desse jogo, pois não vi (de vez em quando tenho que trabalhar, sabe?), mas Sam está num nível estável, não tão bom quanto ganhou seu primeiro Slam, nem tão ruim quanto na Austrália nesse início de ano. Portanto essa vitória indicava que Jelena estava jogando bem. Ela esperava por Radwanska (5), que chegara na semifinal com uma vitória com autoridade sobre Lisicki (9) em sets diretos e um susto contra Aleksandra Wozniak na primeira rodada (que, aliás, deve voltar a figurar o top 40-30 logo se manter esse nível de jogo). Essa semifinal foi, pra mim, o melhor jogo da semana.
Partida da semana: Jankovic x Radwanska

O jogo começou parelho. JJ entrou com um plano claro de ser agressividade e Aga com suas habilidades defensivas em seu melhor. Os erros de JJ a fizeram perder o primeiro set por 6-2, erro que ela não deixou acontecer no segundo, que ganhou por 6-2. A garota diva da Fila não conseguiu manter o nível no terceiro, enquanto Aga o fez durante toda a partida, e levou um pneu no set decisivo. Sendo o nerd tenístico (isso existe, né?) que sou, o que mais adorei nessa partida além da qualidade dela foram os números:
- 0 (ZE.RO.) foi o incrível número de vezes que Radwanska teve que usar seu segundo saque no primeiro set;
- JJ ganhou 12 de 13 pontos e fez 3-0 no segundo set, incluindo 11 winners (sendo que fez 9 no total no primeiro);
- Ainda no segundo set, um espetacular rally de 34 shots aconteceu, acabando com um winner de JJ. Para mim o melhor rally da semana;
- Os últimos 4 games de serviço de Aga foram de 0;
- Aga ganhou 22 dos ultimos 26 pontos da partida.
A final
(Escrita por 15-0, que acompanhou a partida)

Agnieszka Radwanska e Julia Goerges fizeram uma final nervosa. Melhor para a polonesa, que saiu com o a vitória em 2 sets, 7/5 6/4 e a 5ª colocação no ranking mundial, seu melhor ranking na carreira. Radwanska foi bem mais consitente que a alemã na final. O saque da Aga, pasmem, fez muita diferença. Principalmente no primeiro set. Já no segundo, as devoluções da alemã, especialmente no segundo saque da polonesa, fizeram a diferença. Quando Radwanska aliava a mão, Goerges mandava uma pancada na devolução. Em alguns momentos, funcionou. Mas como quem arrisca demais, também erra demais, o forehand da Goerges pecou muito nos momentos decisivos. Mais equilibrada, Aga soube controlar melhor seus golpes e saiu com o primeiro troféu na temporada.
Ninja, como apelidada por nós, segue invicta na temporada contra adversárias que não se chamam Victoria Azarenka. Foram três encontros, em Sydney, Australian Open e Doha, e a número 1 do mundo saiu com o triunfo em todos. O último deles, na última semana, custou duras críticas à bielorussa, que, na oportunidade, venceu por duplo 6/2.
Controvérsia
Aga tinha algo a dizer sobre este último encontro quando foi, e enfatizo, perguntada sobre o que ela acha que aconteceu nesse dia. Aga disse que perdeu um pouco de respeito com Vika, e que o jeito que ela se portou não é o jeito que ela acha que as jogadoras devem se portar. Aga não é chamada de Ninja somente pelo seu jogo, mas também pela sua frieza. Aga sempre disse o que acha quando questionada, não o que querem ouvir. E como disse semana passada no resumão de Doha, Vika não rolou seu tornozelo, mas mesmo assim mostrou-se sofrer com o mesmo pelo resto da partida. Coloca-se este fato com a análise fria de Radwanska e podemos ver que talvez o ponto dela seja válido. Muitos podem descartar essa minha análise desse fato por eu ser fã da polonesa, ou pelo fato dela somente ter perdido para Azarenka nesta temporada, mas uma coisa todos podem acreditar: Aga falou com base no que viu, e se ela – que estava a 10m de Azarenka – viu uma jogadora fingir ou exagerar uma contusão, é isso que ela viu.
Será interessante acompanhar o desenrolar desta história. Como as duas irão de compartar uma com a outra, e como Wozniacki – que está entre as duas na amizade e no ranking – pode entrar no meio. Isso ficará para a sessão fofoca quando as mesmas se expalharem pelos vestiários.