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10 coisas que aprendi na Gillette Federer Tour

10 coisas que aprendi na Gillette Federer Tour

Dos dias 6 a 9 deste mês o Brasil recebeu a elite do tênis profissional em São Paulo e o 40-love estava lá para prestigiar o evento, conhecer membros da Tênis Máfia e tietar Dácio Campos.

Minha experiência na Gillette Federer Tour, ou “Roger e amigos”, foi tão marcante que decidi compartilhar com vocês o que eu aprendi durante meus dias no evento. Sentem que lá vem a história, crianças.
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¡Viva la Revolución!

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“¡Viva la revolución!” Este foi o jingle que badalou a breve temporada do saibro azul. A história diz que revoluções são boas, mas qual vantagem elas trazem pra quem é contra elas? Toda vez que eu paro para conversar com meu treinador ele fala “o tênis está à beira de uma revolução, tipo aquela que aconteceu quando os sacadores resolviam tudo em duas bolas”. É bem verdade que houve uma grande mudança no ritmo das partidas de tênis ao longo da história. Conforme os equipamentos e as táticas de jogo foram evoluindo, o esporte foi ficando mais rápido; primeiro com os grandes sacadores das décadas de 80 e 90, passando pelos grandes jogadores de fundo de quadra capazes de neutralizar potentes serviços, que surgiram no final dos anos 90, até chegar ao jogo predominantemente de fundo que temos nos dias de hoje.

Ao longo da semana eu me perguntei se seria o saibro azul o início dessa revolução, mas antes de discutir os benefícios que a nova superfície poderia trazer ao tênis é preciso entender mais sobre ela.

Atualmente são usados, em larga escala, 3 tipos de quadras: hard, grama e saibro, sendo a quadra hard composta de cimento, material sintético, entre outros, caracterizada sempre por ser rápida e com quique mediano; a quadra de grama é composta de… hmmm… grama, sendo a mais rápida de todas e com quique bem baixo; já a quadra de saibro pode ser feita de uma série de materiais diferentes, porém a base, tanto da quadra de saibro quanto da quadra de grama são confeccionadas da mesma maneira.

A principal diferença entre o saibro vermelho e o azul está na cobertura, não só pelo fato de serem de cores diferentes mas sim pela maneira como cada material é tratado antes de ser aplicado à quadra. O pó vermelho que cobre as quadras de saibro normais é constituído de pó de tijolo e argila apenas triturados, já o saibro azul passa por um processo químico em que são retirados o óxido de ferro e outros metais que dão a coloração avermelhada ao material, após este processo o pó torna-se esbranquiçado, é então aquecido a 3800 graus celcius e pintado em outro processo químico (que eu não encontrei dados sobre) e, finalmente, triturado novamente e espalhado sobre a quadra.

Toda a química a qual o pó de tijolo e a argila são submetidos, como a retirada de metais e o aquecimento reduzem tanto a resistência do material (caso fossem usados para algum fim) e também sua capacidade de reter a umidade. Todo mundo que já brincou com argila ou barro quando criança sabe que estes materiais endurecem depois que secam e muitas vezes é dificil amolecê-los novamente, o aquecimento apenas acelera o processo de desidratação das moléculas reduzindo ainda mais a capacidade de retenção de umidade.

Discovery Channel à parte, para manter a característica dos demais tipos de saibro, o azul precisa ser molhado mais que uma vez a cada set, fato que a direção de Madri demorou um pouco a descobrir e causou muito desconforto e revolta nos primeiros dias do torneio. Com o passar da semana foi adotada a estratégia de molhar o saibro a cada 5 games disputados, o que melhorou bastante as condições da quadra mas não foi suficiente pra diminuir, de forma significante, sua velocidade.

Voltando à questão da revolução, após vencer o primeiro set na final de Madri, Tomas Berdych tinha uma média de forehand de 136 km/h e pouquíssimos pontos vencidos com voleios, o que acusa um jogo baseado na regularidade no fundo de quadra. Até então, não há problema algum. O saibro sempre foi uma superfície de paciência e regularidade, mas quando o conceito de regularidade começa a prevalecer em todos os pisos começamos a ter problemas como foi a final do Australian Open de 2012. O jogo entre Nadal e Djokovic teve início às 6 da manhã, em Brasilia, e terminou perto de 1 da tarde. Para os fãs do esporte foi um espetáculo à parte, de tênis de alto nível e superação de limites por parte de ambos os tenistas, mas e para aqueles fãs de esporte em geral que assistem 2 ou 3 jogos durante um torneio e às finais no final de semana, será que, para estes, é agradável ficar 6 horas diante da TV? Jogos como aquele podem contribuir em certos aspectos para a despopularização do tênis, principalmente na questão das transmissões, uma vez que um jogo que segura 6 horas da grade de programação muitas vezes não tem metade da audiência de um jogo de futebol de 90 minutos. 

No final dos anos 90 e início dos anos 2000 quando o tênis era dominado por grandes sacadores e alguns jogos eram rápidos demais causando revolta em quem comprava ingressos para estas partidas, surgiram grandes devolvedores e houve a extinção da quadra de carpete indoor que era o piso mais rápido do circuito. Tudo isso contribuiu para a redução na velocidade do jogo e exigiu que os jogadores evoluíssem seu lado técnico passando assim a depender menos de seus saques.

O grande problema é que com a regularidade dos jogadores de hoje fica cada vez mais dificil a consolidação de sacadores e voleadores, uma vez que para chegar até a rede sem levar uma passada é preciso fazer uma jogada quase perfeita. O saibro azul mostrou o que pode ser a luz no fim do túnel, agir sobre a superfície pareceu ser a maneira ideal de revolucionar o esporte, uma vez que desde que Madri começou a ser disputado no saibro estiveram na final Rafael Nadal, Roger Federer e Novak Djokovic, jogadores que são extremamente regulares no jogo de fundo de quadra. Este ano, no entanto, estavam na final o Federer do saque, do voleio e da variação de jogo e Tomas Berdych, um jogador muito agressivo que joga da linha de base para frente. No entanto, venceu quem variou mais, quem usou mais recursos e não quem só manteve a regularidade soltando porradas do fundo.

Ao longo do torneio, Milos Raonic sacou a 230 km/h, foi à rede, fez belos slices e esteve perto de eliminar Roger Federer; Rafael Nadal e Novak Djokovic se irritaram com a dificuldade de estabilização do jogo, perderam a cabeça e caíram precocemente. O saibro azul mostrou que talvez seja possível obrigar os novos jogadores a serem mais completos ganhando jogos usando todos os fundamentos do esporte, mas também pode causar uma grande revolta entre os atletas e, de alguma maneira, prejudicar muito o esporte.

Tirando a pesquisa do saibro azul, que foi realizada durante a semana de Madri, o papo sobre revolução apareceu durante uma conversa com meu treinador e alguns amigos, também do tênis, que acham que a mudança é necessária. E vocês, o que acham disso tudo?

Imagens: Daylife, Pó Piacentini

A Semana em Imagens – 07/05 a 13/05

 

********************BONUS********************

Esta semana o site de fofocas e etc TMZ divulgou uma suposta gravação de um hip hop cantado pela americana Serena Williams, na minha opinião ficou bem melhor que a Oxygen da Wozniacki. Você pode conferir a música abaixo.

 

Imagens: Reuters, Getty Images, Mutua Madrid Open, Twitter Oficial Ivo Karlovic, Twitter Oficial Janko Tipsarevic

Vídeo: Youtube

Australian Open 2012: previsões a 4 mãos

Australian Open 2012: previsões a 4 mãos

O Australian Open 2012 começa hoje a noite, e nós decidimos fazer uma previsão conjunta entre 15-0 (Michel) e 40-0 (Victor) sobre o que achamos que acontecerá nas chaves. Pra quem sentiu a falta do 30-0 (Marden), como se alguém fosse sentir, mas o carioca forgado resolveu tirar férias em algum canto do mundo e não quis participar dessa bagaça. Se acertarmos, sambaremos na cara desse mané. Se errarmos tudo, pelo menos tentamos. Ah vá.
Obviamente, daqui a duas semanas veremos que erramos tudo.

Chave Feminina

Caroline Wozniacki

Wozniacki

15-0 : Se o tal do forehand angulado não for uma lenda urbana, Carol tem tudo pra vencer fácil até chegar nas quartas contra Kim ou Li. Daí, meu irmão, se vencer, ganha confiança para chegar na final. O grande jogo desse lado da chave deve ser o duelo entre as finalistas do ano passado. Carol, macumbeira que só ela, vai torcer por um terceiro set 9-7 para a chinesa, já que a Kim ela não vence nem em exibição. Vou dar um crédito para o forehand-lenda-urbana e coloco a number one nas semis.
40-0 : Caminho fácil até as quartas, onde aguarda Li Na ou Kim Clijsters. Não acho que passe de nenhuma das duas, caso passe ficarei bastante surpreso. Li Na é minha semifinalista dessa chave. Sorry, Karolina.

Petra Kvitova

Kvitova

15-0 : I got a feeling… Não consigo ver a Petra na final, quiçá nas semis. Mas aí eu olho pra chave e não vejo onde ela pode perder. Sam? Não. A australiana não vai tão longe em casa. Bartoli? Talvez. Ou Ivanovic? É melhor eu parar de beber… Mas vai lá, como não consigo ver ninguém que possa bater a Petra, passo a tcheca pras semis.
40-0 : Chave fácil com duas ou três oponentes que podem trazer problemas para a número 2. Pavlyuchenkova é sempre perigosa, Ivanovic e Kirilenko em um bom dia também podem causar danos. Confio em Marion Bartoli(nda) pra tirar o Exú nas quartas, mas caso ela não o faça, a semifinalista do quadrante de cima realizará o trabalho. Escolho Bartoli pra sair desse quadrante.

Victoria Azarenka

Azarenka

15-0 : Ah vai. A chave da Vika é boa. Muito boa. Ela não tem Kim, nem Serena e nem Li. Acho que chega fácil para as quartas e deve enfrentar (de novo) a Aga. Se Schiavone estivesse numa boa fase, eu apostaria nela contra a Radwanska, mas não é o caso. No fim das contas, passa a Vika.
40-0 : Vika tem um quadrante não necessariamente difícil, mas deve ter muito cuidado. Além de iniciar sua campanha contra a jovem britânica Heather Watson (que não vai entrar em quadra e se fingir de morta), oponentes perigosas como Shuai Peng, Francesca Chica Schiavone, Yanina Wiackmayer e a recém-chegada ao top 50 Mona Barthel podem causá-la trabalho. A Ninja Radwanska a espera nas quartas, e eu sinceramente não sei quem sai viva desse encontro. Escolho Agatinha pra sair desse quadrante, mas se Vika for a sobrevivente não será surpresa alguma.

Maria Sharapova

Sharapova

15-0 : Pô, Maria. Serenão? De novo? Aff… Mas antes mesmo da Serena, eu já me preocupo com a Sveta. Ou eu deveria me preocupar já na terceira rodada contra a Kerber? Falando em me preocupar, é claro que a Bepa pegaria a “low-seed bomba”, Kaia “cara da magreza” Kanepi. O jeito é torcer pra Kanepi copar a Serena, porque se não Serenão vai pra semifinal e ninguém segura mais. Ou vai aparecer uma Sam na vida dela de novo? Williams nas semifinais. E vá se benzer, Bepa! Sua linda!
40-0 : A número 4 do ranking pegou a chave mais difícil do torneio, inegavelmente. Serena Williams, Sabine Lisicki, Kaia Kanepi, Vera Zvonareva, Svetlana Kuznetsova e Angelique Kerber estão todas nesse quadrante e nenhuma dessas deve ser ignorada. Se Maria passar sem sustos pela sua oponente da primeira rodada, Gisela Dulko, ela deve ter facilidade para chegar as oitavas onde Lisicki a espera. Passando por Lisicki chega a hora da onça beber água (um salve pro Maraucci!): Serena Williams ou uma em forma Kaia Kanepi. Caso consiga passar para as semis me arrisco a dizer que ela ganha o título. Porém, escolho Serena Williams para sair inteira daqui.

Darkhorses

15-0 : Nos últimos anos a Austrália tem visto poucas surpresas… as chinesas costumam jogar bem lá e Zheng vem invicta na temporada. Acho que a Kanepi pode aprontar pra cima da Bepa e até da Serenão. E não ficaria nada triste se a Pavs copasse a Kvis. Se a Pervak ainda fosse russa, ela venceria a Na Li. Mas o tênis não feito para cazaques viradores de casacas.
40-0 : Se não fosse pelo seu ranking, Kaia Kanepi não poderia ser considerada uma darkhorse considerando sua forma demonstrada em Brisbane semana passada. Mas ela é. Kerber e Jie Zheng também podem cortar algumas cabeças (de chave) ao longo do torneio.

O último sobrevivente

15-0 : Vika chega em sua primeira final de Grand Slam e como ela não é a Kvitova, ela sairá chorando do jogo contra a Serena. Mas vai aprender pro futuro.
40-0 : Numa final entre Na Li (passando em três sets por Radwanska/Azarenka) e Serena Williams (passando em sets diretos sobre a Bartolinda), Serenão leva seu sexto título em Melbourne.

Chave masculina

Novak Djokovic

Djokovic

15-0 : As chances do Nole sempre crescem quando ele não tem o Federer nas semifinais. Acho que atropela nas três primeiras rodadas. Nas oitavas, pode fazer um duelo interessante com o Raonic (não boto fé no Roddick). Consigo ver o Ferrer ganhando dele nas semis. BOOOOOM Vou no Espanhol.
40-0 : Nole tem um passe livre as oitavas onde pode encontrar dois dos melhores sacadores do circuito: Andy Mohawk Roddick ou o canadense Milos Raonic. Passando por eles, Nole deve ganhar fácil de Ferrer nas quartas e chegar nas semis com energia.

Rafael Nadal

Nadal

15-0 : A chave do Nadal é mole até a terceira rodada (Kuznetsov, Haas e Ljubicic). O croata seria perigoso se não fosse um jogo de cinco sets. Nas oitavas uma chuva de aces contra Feli ou Isner, ou dois velhos conhecidos, Davydenko e Nalbandian. Mas hoje são mais velhos do que conhecidos. É quase barbada que Berdych será o adversário das quartas. E é quase certo que o tcheco vai amarelar. Rafa chega às semis e depois para no Roger.
40-0 : Wedgie-boy tem uma chave mole até uma oitava-de-final contra o sacador John Isner, que sempre o dá trabalho. Conto com Berdych para eliminá-lo nas quartas.

Roger Federer

Federer

15-0 : O SORTUDO da parada. Federer fugiu do Nole nas semifinais e caiu numa chave mole, mole (skyisblue). Não vejo ninguém que o assuste até às quartas e deve chegar descansado para jogar as semifinais contra o Nadal. Se não fizer muito mimimi, passa para a final.
40-0 : O Rei não tem nada a se preocupar além de pagar a conta da AppStore de sua esposa Mirka até as quartas contra Del Potro. Ele DEVE ir ileso para a semifinal.

Andy Murray

Murray

15-0 : Pra mim o AO é o Grand Slam que o Murray tem mais chances de vencer (Rolland Garros é do Nadal, em Wimbledon ele NUNCA irá lidar com a pressão e o USO é no fim da temporada). Mas esse ano ele deu azar. Monfils nas oitavas e Tsonga nas quartas!!! E se passar ainda tem o Nole nas semis. Se mitar e chegar na final, vai ter que vencer o primeiro Slam na carreira contra Federer ou Nadal. Boa sorte em 2013, Andy!
40-0 : Chave fácil. Com Monflis no caminho de uma quarta-de-final contra Tsonga, na qual acho que o britânico leva easy-breezy e sai vivo do quadrante.

Darkhorses

15-0 : Tsonga e Ferrer contam como darkhorses? Se sim, fico com eles. Se não, só pra trollar, coloco o Monfils.
40-0 : Só consigo pensar em um nome para o trabalho: (Ma)Milos Raonic.

A única sobrevivente

15-0 : Ferrer ou Tsonga se enfrentam para perder para o Federer na final. É o ano da cabra.
40-0 : O defensor do título Nole deve ir a final com pouca resistência de Murray. Lá Federer o espera, tendo ganho sua semi contra Berdych. Nole defende seu título com sucesso com sua 5a. vitória em 1 ano sobre O Iluminado.

Fotos: Daylife.